sexta-feira, 30 de maio de 2014

Reveillon em Morro de São Paulo

Morro de São Paulo é uma ilha linda localizada a 34 milhas marítimas (64 km) de Salvador, e colonizada em 1530 após o desembarque do português Martim Afonso de Souza, que a batizou como Tynharéa (Ilha de Tinharé). São cinco praias estonteantes, de águas claras e variados tons de verde. A Vila faz as vezes do centrinho, com lojas e comércio em geral, pousadas e restaurantes. Depois da Vila temos a Primeira, Segunda, Terceira e Quarta Praias, finalizando com a Praia do Encanto, que é a mais distante.

Inicialmente a ideia era passar o ano novo em Trancoso, mas quando comecei a pesquisar hotéis e pousadas por lá fiquei surpresa com os valores, que chegavam a 16.000 reais ou mais para o casal. As hospedagens razoáveis eram em torno dos 7.000 reais. As casas atingiam o patamar de 50.000 reais em média para 10 pessoas. Não, definitivamente me recuso a desembolsar um valor tão absurdo, que daria para ser gasto em uma viagem internacional, hospedando-se em hotéis luxuosos. 

Então, como o propósito era praia sem o movimento de cidade grande, pensamos em Morro de São Paulo. Já havia um bom tempo que visitamos o local pela última vez e sempre quisemos voltar lá. Mas era setembro de 2013, época de última hora para reservas, restando poucas opções na Segunda Praia, a preferida para se hospedar. Foi quando achei a Bahia Brasil, uma pousadinha simples, mas nova, gostosa, organizada e com boas avalizações. Reservamos o último quarto. 

Por ser uma ilha, chega-se até Morro de avião ou, caso contrário, de catamarã, onde você deve estar disposto a enfrentar 2 horas e 40 minutos de balanço, desconforto e barulho do motor. Outra alternativa é ir até Valença e, de lá, pegar uma lancha rápida (30 minutos) até Morro. Para chegar em Valença, partindo de Salvador, tanto de carro quanto de ônibus, primeiramente deve-se pegar o ferry boat (50 minutos) até a ilha de Itaparica. A partir de lá, são 112 quilômetros até Valença. Na primeira ida a Morro optamos por este percurso.

Resumindo, se não for por via aérea, o acesso até Morro de São Paulo é um pouco difícil, desconfortável e desaconselhado para pessoas de maior idade. O trajeto via Valença demora mais tempo que o catamarã que parte em frente ao Mercado Modelo de Salvador e vai direto a Morro, mas pode ser uma opção mais recomendável para quem não consegue ficar muito tempo no mar. Como ainda somos jovens, escolhemos a viagem direta e partimos com o catamarã da Biotur, empresa esta com a melhor infraestrutura. Mesmo sendo uma embarcação maior, o balanço é inevitável. No fim, a recompensa é boa e você pensa: "Até que não foi tão ruim assim". Atenção: em época de altíssima temporada como essa, a reserva deve ser feita com pelo menos 1 mês de antecedência.

Primeira e linda vista ao chegar
Local onde chegam e partem as embarcações
Descemos do catamarã e logo fomos abordados pelos carregadores de mala. Sim, eles são imprescindíveis para levar suas bagagens até as pousadas, mesmo para quem se hospeda na vila, que é o local mais próximo dali, porque antes de chegar tem um morro bem íngreme. Pois bem, "contratamos" o serviço, juntamente com um casal de franceses, e lá fomos nós caminhando até a Segunda Praia, enquanto o carregador (tadinho) fazia um esforço enorme para empurrar toda aquela bagagem no carrinho de mão. Na Vila somente é permitido aqueles carrinhos de pedreiro mesmo, como o da foto abaixo. O dia inteiro é um vai e vem não só de malas, mas também de mercadorias. Somente a partir da Segunda Praia é que carros podem circular. 

Catamarã da Biotur
Bagagens de turistas no carrinho 

Subida para a vila, a partir do cais.

Vila
Hospedamos por 5 dias na Pousada Bahia Brasil. A receptividade foi boa, os quartos são simples, mas possuem televisão, frigobar e ar condicionado split. O ponto negativo é de não aceitar cartões, nem crédito e nem débito. A piscina é bem pequena, mas quase não entramos pelo fato da praia localizar-se a poucos passos dali (Segunda Praia). Quanto ao café da manhã, há boa variedade de bolos e tortas. Durante a noite são servidos crepes de sabores diversos, pagos à parte. 




Desde nossa primeira visita à ilha notei que houve grande crescimento. Muitas construções surgiram, mas nada padronizado, o que é uma pena. As ruas da vila, antes mais rústicas, de areia, foram revestidas, facilitando para os carregadores. Ainda há dificuldade com a entrega de mercadorias pelo fato de ser por meio de embarcações, o que justifica os preços um pouco mais elevados do comércio local.

As praias continuam lindas. As preferidas são a Segunda e a Quarta Praias:

Primeira Praia: É a praia onde há muitas pousadinhas "pé na areia". É de extensão mais curta e faixa de areia estreita. Do alto do farol (direita da foto) o turista pode fazer tirolesa e cair direto em suas águas. é aqui também o lugar para contratar esportes aquáticos e alugar equipamentos.

Primeira Praia

Segunda Praia: Esta é a mais badalada e a preferida da maioria, tem o mar calmo e águas mais apropriadas para banho. Há grande variedade de barracas de praia, inclusive pertencentes a algumas pousadas como Vila das Pedras e Sambass, sendo o atendimento dessa última melhor e bem menos demorado.

Segunda Praia


O vai e vem de turistas na badalada Segunda Praia

Durante a noite, uma infinidade de barraquinhas de caipiroska tomam conta do "calçadão", cada qual tentando chamar atenção com criatividade e muitas frutas. 



Terceira Praia: É daqui que partem os barcos para passeios até a Ilha de Boipeba e, por isso, o início desta praia não é aconselhado para banho. Quase ao fim da sua extensão encontramos um lugarzinho bom para ficar e com sombra natural. As águas também são calmas e a profundidade pequena, principalmente na maré baixa. Há aluguel de caiaques e snorkel.

Inicio da Terceira Praia


Cantinho calmo que encontramos na Terceira Praia



Quarta Praia: Era para onde caminhávamos todos os dias para curtir o Pimenta Rosa, um restaurante estiloso, tipo beach lounge, que serve pratos e petiscos saborosos, acompanhados de drinks muito bons. A Quarta Praia não é a melhor para nadar, apesar de limpa, porque tem muitos corais, mas é perfeita na maré baixa para fazer snorkeling.
O restaurante oferece ducha de água doce, banheiros e espreguiçadeiras de madeira acolchoadas, além de uma musiquinha muito agradável. É, sem dúvida, a melhor "barraca" de praia da ilha.





A porção de mini acarajés foi a primeira e boa pedida do cardápio. Os bolinhos estavam sequinhos e os acompanhamentos bem feitos. Para o almoço, o peixe assado na folha de bananeira com farofinha de camarões estava uma delícia, assim como o prato de camarões ao molho de leite de coco e açafrão, acompanhado de banana da terra. E assim foi todos os dias, sempre almoçando lá nos fins da tarde.



Peixe na folha de bananeira

Camarões com açafrão e leite de coco
Claro que não podíamos deixar de provar o bobó de camarão, meu predileto. No último dia pedimos o prato e estava bem saboroso.


Hora da caminhada de retorno de 20 minutos, aproximadamente, até chegar à pousada. No primeiro dia resolvemos esticar no descontraído bar Toca do Morcego, no alto do morro e próximo à vila, para assistir ao pôr do sol. É nessa hora que as pessoas começam a chegar, ao som de house music. 

No caminho de volta: Terceira Praia

O lugar oferece diversos drinks, petiscos e estação de comida japonesa, além de uma vista de tirar o fôlego, proporcionando um lindo pôr do sol. Para os solteiros, é a melhor opção pós praia.

Estação de comida japonesa no Toca do Morcego



Pôr do sol incrível
A noite as opções eram os tranquilos restaurantes de algumas pousadas, como da Vila dos Corais, ou os mais descolados da vila. Descobrimos por acaso o Bianco & Nero, cujo proprietário é italiano, e de lá não saímos mais. É a melhor opção da ilha porque a comida é boa e o preço é justo. O forte são as pizzas, que possuem massa fina e são perfeitas, com ingredientes de qualidade, mas há também boas massas, carnes e frutos do mar. Não aconselho muito os pratos com filé mignon, como o de gorgonzola que não me agradou, mas há outras ótimas opções com picanha e carne angus.


Penne com molho de tomates e cogumelos frescos. Muito bom.

Pizza metade funghi e metade lombinho com catupiry. Excelente!
Experimentamos também o crepe doce da Oh Lala creperia, de propriedade de um francês. A massa é ótima, fininha, e o recheio de nutela muito bom, mas o sorvete caseiro ruim. Não provamos os crepes salgados.



A Virada:

Fomos pra Morro sem resolver se passaríamos a virada apenas na praia ou em em algum restaurante. Preferimos deixar para resolver lá mesmo porque não sabíamos ao certo o que era bom e, pelo telefone, as pousadas não falavam se suas próprias festas eram abertas ou não para o público e que isso seria decidido de última hora. 

Ficamos sabendo de uma festa chamada Paraíso Tropical, mas na verdade, foi uma verdadeira furada para quem comprou o convite. Algumas pessoas hospedadas na nossa pousada foram e todas, sem exceção, arrependeram de terem ido devido à falta de organização. 

A virada do ano é sempre na Segunda Praia e, sem dúvida, é a melhor opção. Há quem prefira brindar na areia mesmo, sem participar de nenhuma festa fechada, ou passar nas pousadas ou restaurantes dali. Pesquisamos as festas da Pousada da Torre, do Sambass e da Vila das Pedras. A primeira não sabia se ia abrir para não hóspedes e, depois de tanto esperarmos pela resposta, acabamos desistindo e optando pelo Sambass, que é uma ótima pousada e tem restaurante à beira mar. Conversamos com o Sumô (apelido), um simpático e educado francês, dono do estabelecimento, que nos explicou o cardápio detalhadamente, oferecendo um preço justo, em torno de R$ 200,00 reais por pessoa. 

Para quem quiser uma festa um pouco mais elegante, sugiro a festa da Vila das Pedras, aberta também para não hóspede. Mas o valor do convite era mais que o dobro e o cardápio do Sambass me atraiu mais.

Segunda Praia na noite de Reveillon
O menu do Sambass era fechado e todos os pratos harmonizados com vinho, que estava incluído no preço. A área cercada tinha mesas espalhadas na areia, muitas velas e ombrelones charmosos debaixo das árvores. Pra quê mais? As demais bebidas, como champagne, espumantes e whisky eram cobradas à parte, havendo a possibilidade de pagar rolha caso o cliente levasse sua bebida.



Foram servidos cinco pratos mais os docinhos da sobremesa. O primeiro foi uma salada de alface, manga e saborosos camarões no espeto. O segundo uma focaccia com tomate seco, mussarela de búfula e molho pesto. O terceiro foi lagosta grelhada com arroz branco, o quarto um ravioli (não lembro o recheio) com molho de tomates e, por último, uma picanha de cordeiro que esqueci de tirar foto. Todos os pratos, sem exceção, estavam ótimos e muito bem feitos. Realmente valeu a pena. A sobremesa ficou por conta de uma grande variedade de doces expostos em uma mesa especial, dentro do restaurante. Ah, tinha um brownie dos deuses. Até hoje lembramos dele.

Salada com camarões

Focaccia

Lagosta

Ravioli
Da mesa brindamos o novo ano e vimos os fogos da Segunda Praia. Foi uma noite super agradável.



Partimos de Morro no dia 02, mas com vontade de esticar mais um pouquinho. De acordo com o horário do nosso voo (Salvador/BH), tivemos que reservar um barco menor da empresa Farol do Morro, que balançou bem mais....Mas era ano novo, estávamos com as energias renovadas. Estávamos na Bahia. Reclamar pra quê?



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