segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Encantos do Pantanal

Pantanal tem a cara do nosso país. É uma joia que deve ser tratada com todo carinho, não só pela beleza infindável, mas pelas riquíssimas fauna e flora que fazem dessa reserva natural uma das mais importantes do planeta. Mesmo assim, talvez pelo tipo de viagem que é bem rústica, a la Juma Marruá, nunca pensei em visitar esse significativo pedaço verde de Brasil. Mas confesso que adorei. O destino foi combinado com a ecoturística Bonito, e como ir até lá e não conhecê-lo? Não, não poderia perder a oportunidade de aproveitar em uma só viagem essas duas maravilhas.


Pousamos em Campo Grande e, de lá, uma van nos levou até Miranda, mais precisamente na Refúgio da Ilha, uma pousada-fazenda muito especial que deixou saudades. Saudades da comida caseira mais que perfeita, da simpatia e hospitalidade dos proprietários Ivone e Jairo, juntamente com seus funcionários (sem exceção). Do cheirinho de natureza, do barulho da água correndo no rio Salobra e até dos pontuais visitantes, os jacarés, que apareciam todas as noites na porta da fazenda. Foi uma verdadeira hospedagem familiar.

A pousada, pertencente ao município de Miranda/MS, localiza-se à beira do rio Salobra, em uma ilha fluvial de 4.000 hectares, e está distante 11 km de estrada de terra da BR-262. Uma dica para quem está planejando conhecer o Pantanal, é acessar o site da Trivago, onde você poderá encontrar hotéis e pousadas pelo melhor preço. Para conferir basta clicar aqui.

Chegamos no fim da tarde, e lá estava Jairo e sua esposa para nos receber. A fazenda tem um aconchego tão bom que já nos sentimos em casa antes mesmo de entrarmos. Tudo muito limpo e bem cuidado.


  


Por ser um santuário ecológico de preservação e possuir suas atividades voltadas ao turismo sustentável, o número de visitantes é limitado. Ao todo são oito apartamentos rústicos, com banheiro privativo, janelas teladas, ventilador de teto, ar condicionado e um despertador natural: o canto dos pássaros.


Após algumas horas da nossa chegada, a noite se aproximou, e adivinhem. Lá estavam eles, os jacarés, que todas as noites marcavam presença na porta da fazenda. No fundo eles até que são tranquilos, logicamente, se mantivermos certa distância. E pelo comportamento ganharam dos guias bons pedaços de frango.


Um caso à parte foram as refeições (inclusas no valor da diária) que fizemos durante toda a estadia. Com um tempero único e super caseira, a comida era feita com muita qualidade e dedicação. No restaurante interno eram servidos café da manhã e jantar. No externo, à beira do rio salobra, era servido o almoço. Em ambos o próprio hóspede fica à vontade, pega sua bebida, que é cobrada à parte, e anota na comanda do quarto.

Restaurante interno

Pratos regionais e deliciosos que ficaram na memória
No dia seguinte, às 06:30 hs já estávamos de pé para o primeiro passeio. O café da manhã, servido ao som dos pássaros, era sempre reforçado e cheio de delícias. Bom dia, Pantanal!


Era dia de descermos o Rio Salobra. O guia Ronaldo, um sábio índio da tribo Terena, foi o primeiro a nos apresentar o Pantanal. Conhecia tudo sobre fauna e flora e, só de ouvir o barulho, já sabia qual seria o próximo bicho a surgir.

Não deixe de levar repelente de mosquitos. Sim, fui literalmente sugada por eles, e só depois descobri que eles adoram picar por cima das calças de lycra. Portanto, não economize no repelente e use calça jeans.


O rio parecia nosso. A prática de pesca é proibida e, portanto, quase não havia embarcações. Enormes aguapés e muitas espécies de vegetação aquática abraçavam o rio Salobra, que é cristalino na maior parte do ano.

O percurso é estreito, o que torna possível maior aproximação com os animais. Nesse dia vimos jacarés, garças, micos (fugiram das câmeras) e as curiosas ariranhas, conhecidas como lontras-gigantes ou onças-d'água. Para chegarmos mais perto, Ronaldo desligou o motor do barco. Fizemos silêncio e, aos poucos elas se aproximavam, emitindo uma sequência de sons, chamados bufos.

Ivone nos contou que a rede BBC de Londres hospedou-se na fazenda durante o período de 1 ano, aproximadamente, para fazer um documentário sobre as ariranhas, onde mostra o "chefe" de uma família protegendo e cuidando de seus filhotes. 

Percurso do rio Salobra

Aguapés

Pausa para registrar o descanso do jacaré
Garça

Parada na metade do passeio. Ops, será que tem alguma onça por aqui?

As curiosas ariranhas

Depois de sondarem nosso barco, as ariranhas se dispersam.
O passeio finalizou perto da hora do almoço. Entre um petisco e outro, Jairo contava casos curiosos. Um deles foi sobre o período de cheia do Pantanal, quando o rio Salobra sobe e alaga a região. Segundo ele, é uma época linda porque a água cristalina do rio chega quase até a porta da casa. Os peixes correm por ali e no restaurante externo a água bate até a metade das cadeiras.

Era nosso primeiro almoço. E que almoço. Verduras e legumes frescos de um lado, e pratos quentes muito saborosos sobre o fogão à lenha.





Depois do almoço, doces caseiros e frutas. Ah, esse doce de leite...

Depois do almoço, hora de relaxar
No fim da tarde, após um bolo com chá, partimos para o safári com o simpático e prestativo guia Ari. Dessa vez, quase todos os hóspedes foram juntos. O primeiro animal que vimos foi um veado, depois emas correndo por todos os lados, criações de gado, aves, como a arara azul e o típico Tuiuiú. Vimos também alguns tatus e uma infinidade de lindos papagaios nas árvores, durante a volta do percurso. Já era noite e eles voltavam para suas "casas". Vimos também dois tamanduás, mas somente com o binóculo. O passeio durou pelo menos 2 horas e meia e, no final, fomos presenteados por um espetacular pôr do sol. Quanto à desejada onça pintada, Ari disse que é difícil presenciar alguma. 

Estilo safári na África

O guia Ari

Veado

Emas

O famoso Tuiuiú

Pôr do Sol na região pantaneira.
Após a chegada, assistimos alguns vídeos sobre o Pantanal, disponíveis no acervo da pousada. Todos foram feitos pelo cineasta Maurício, filho do casal Jairo e Ivone. E, mais tarde, mais delícias culinárias.


No último dia fizemos cavalgada pela manhã e, durante a tarde, subimos o rio Salobra. Dessa vez, uma paisagem mais aberta.

Subindo o rio Salobra

Macaquinhos fugindo das câmeras
No dia seguinte, após o café da manhã e muitas despedidas, partimos pra Bonito com a energia renovada. É...o Pantanal é um Brasil que muitos brasileiros precisam conhecer.

Até mais

B.Jus


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