segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Bonito de se ver

Bonito é um dos melhores destinos de ecoturismo do Brasil. Peixes, águas límpidas da cor do oceano, flora e fauna diversificadas, aventura, cachoeiras e grutas formam essa linda região digna de aplausos. A preservação é uma constante, e a grande maioria das atrações encontram-se em áreas particulares, onde o proprietário cobra determinado valor por passeio.

Após nossa estadia na Refúgio da Ilha (Miranda/MS), partimos para Bonito com um simpático taxista indicado pela pousada, o Seu Ataildo. A distância percorrida foi de aproximadamente 140 km, totalizando umas 2 horas de viagem. Na estrada vimos algo inusitado para quem não é dali. Muitos bois caminhando sem pressa. O motivo era a transferência para outra área da fazenda da região. Achei que nunca conseguiríamos ultrapassar porque eles simplesmente ocupavam toda a pista, até que o boiadeiro abriu espaço e lá fomos nós, não sem antes perguntarmos quantos bois tinham ali. Eram mais de mil!!

Boiada sul matogrossense
Para quem parte de Campo Grande, pela BR 262, a distância é de 330 km. Há diversas formas de chegar até a cidade (ônibus, vans ou carros privativos). Para quem não quer pegar estrada, a Azul Linhas Aéreas oferece voos regulares.

Chegamos em Bonito, uma cidadezinha simples, plana e bem interiorana. Hospedamos 4 noites no Wetiga Hotel, localizado na rua principal de Bonito e distante 1 km da parte mais movimentada, onde se concentra o comércio local.

O Wetiga oferece quartos confortáveis, sauna, sala de jogos, piscinas ao ar livre e térmica. Troncos reaproveitados e restaurados de aroeira, espécie de árvore típica brasileira, fazem parte do lobby, que também é decorado com artesanatos da tribo indígena Kadiwéu e telas pintadas pela proprietária. A única coisa que achei de mau gosto foi a lista detalhada de preço dos objetos e móveis deixada em cada quarto. Até preço de secador e televisão tinha, caso fossem danificados.

 
Lobby

Piscina térmica

O café da manhã era ótimo, variado e oferecia bolos deliciosos. Não fui embora sem antes anotar a receita de um deles.


No primeiro dia não fizemos passeio, pois chegamos a tarde e resolvemos ficar ali, na cidade mesmo, almoçar, conhecer o centrinho e aproveitar o hotel. Almoçamos no restaurante Cantinho do Peixe, que oferece uma comida boa, mas atendimento que deixou a desejar. E por falar em gastronomia, infelizmente, Bonito é muito carente de bons restaurantes. Os melhores, mas nada surpreendentes, são o Cantinho do Peixe e a Casa do João. É preciso maior investimento na cidade com relação a isso.

Bom, a especialidade do Cantinho do Peixe é o pintado ao molho de urucum, que é servido com o referido molho e queijo gratinado por cima. O prato é bem feito e serve três pessoas com tranquilidade. Provamos também um saboroso dourado grelhado ao molho de alcaparras.

Pintado ao molho de urucum

Dourado ao molho de alcaparras
A principal rua de Bonito é a Coronel Pilad Rebuá, onde estão situados a maioria dos restaurantes, sorveterias, bares e lojas, inclusive de artesanatos e souvenirs. Caminhamos por ela até chegarmos na praça principal, com o nome de Praça da Liberdade, onde está o monumento das piraputangas.

Monumento Piraputangas


 

Pela noite voltamos ao centrinho, onde curtimos a baladinha local, o Taboa Bar, ao som de ótimas músicas ao vivo. E assim foi durante toda nossa estadia em Bonito.

Taboa Bar
 
Lojinhas do centro
 Abaixo, fotos das simpáticas cabines telefônicas.


Gruta do Lago Azul:

Fizemos todos os passeios privativos contratados pela Agência AR, que a poucos dias foi fechada e não mais exerce atividades (indico a Agência Sucuri). O primeiro foi até a famosa e exótica Gruta do Lago Azul, onde a principal atração é o lago subterrâneo de águas transparentes que, ao receber a luz do sol, reflete um azul surreal. Sua profundidade é incerta, mas um mergulhador conseguiu chegar a quase 90 metros, e no fundo há fósseis de mamíferos do período Pleistoceno, ocorrido entre 1,8 milhões a 11 mil anos atrás. A combinação de lago azul turquesa com estalactites e estalagmites faz dessa gruta, descoberta por um índio terena em 1924, uma das maiores cavidades inundadas do mundo. Portanto, imperdível!

É um passeio para todas as idades, exceto crianças menores de 5 anos. Antes da partida do grupo, o guia nos passou algumas instruções e cada um recebeu um capacete. Caminhamos 300 metros até chegarmos na entrada da caverna. Vi muitos idosos, mas confesso que não havia segurança suficiente, e isso me decepcionou um pouco. A decida de 294 degraus (sem nenhum corrimão) até chegar no lago demanda bom condicionamento físico, além de algumas vezes ser preciso apoiar em alguém para descer ou subir. Após minha visita à gruta soube que já existe um trecho com corrimão de cordas, o que dá maior segurança.

A gruta é tombada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e é uma das únicas atrações de Bonito que pertencem ao governo. É importante ressaltar que é proibido nadar no lago.

Valor por pessoa: R$ 60,00 (não inclui transporte)
Distância do centro de Bonito: 20 km
Infraestrutura: banheiro, lanchonete e loja de souvenir



Gruta vista de dentro

  


É de causar suspiros!

Boia Cross:

Na tarde do mesmo dia aproveitamos o divertido Boia Cross, também para todas as idades a partir de 6 anos. Abaixo o mapa mostra o caminho percorrido no cristalino Rio Formoso. A atração localiza-se no interessante Hotel Cabanas, que é bem integrado à natureza e oferece muitas opções de passeios, sendo ideal para famílias com crianças.


Calango

O hotel possui alguns quartos estilo casa na árvore.
O grupo é reunido na recepção, de onde partimos e caminhamos por uma pequena trilha até a área de embarque. Foram 40 minutos e mais de 1000 metros de descida em boias individuais pelo Rio Formoso, passando por 3 corredeiras e 3 cachoeiras, com acompanhamento de 2 condutores. Pouco depois do início do percurso, já fomos presenteados com a primeira cachoeira. O tombo é certo, mas faz parte da diversão. No final, vale a pena comprar o cd com todas as fotos.

Eu levando o primeiro tombo.



Eu, descendo uma das corredeiras
Valor por pessoa: R$ 50,00.
Distância do centro de Bonito: 6 km.
Infraestrutura: recepção, banheiros.

Bote no Rio Formoso:

O passeio de bote nos rendeu bons momentos e boas conversas. Fomos com um grupo de paulistas super descontraídos. A maior parte do percurso é remando, o que é ótimo para queimar calorias, mas quando passamos por cachoeiras e corredeiras tudo compensa. É bem divertido. Meu sogro, 70 anos, divertiu feito criança.






Ui!

Jacaré
O percurso de 6 km é realizado em botes infláveis, passando por 3 cachoeiras e 2 corredeiras. Ao final do passeio desembarcamos na Ilha do Padre, que possui cachoeiras, lanchonete e uma área verde ótima para crianças, onde fomos recepcionados por uma linda arara.


Valor por pessoa: R$ 89,00 (preço não inclui transporte até o local).
Distância do centro de Bonito: 12 km.
Duração: 1 hora e meia
Infraestrutura: banheiros, lanchonete, ampla área verde, redário.

Após o passeio de bote, almoçamos no restaurante Casa do João. Indico a picanha com fritas, até porque você vai enjoar de tanto comer peixes de água doce (piraputanga, dourado, pintado, etc). Pedimos também uma traíra sem espinha, mas o sabor não nos surpreendeu.

Traíra sem espinha

Picanha com fritas
Flutuação no Rio da Prata:

A flutuação no Rio da Prata foi o ponto alto de nossa viagem. Nunca vi nada igual. Após um tempinho na estrada, o motorista nos deixou na fazenda, onde esperou até o fim do passeio, que dura cerca de 3 horas. Foi oferecido um almoço com gostinho típico de fazenda mesmo, no fogão à lenha. Depois de descansarmos 1 hora e meia, nosso grupo partiu em uma 4x4 para a nascente do Rio Olho D' água, não sem antes receber todas as instruções e vestir as roupas apropriadas para o mergulho.


Almoço bem preparado e muito saboroso

Mesas de refeição e, ao fundo, o redário para descanso.

 
Quadro ilustrativo do percurso







Chegando na nascente do cristalino e raso Olho D'água, rio este que desemboca no Rio da Prata, nosso guia nos deu instruções práticas. Para quem está acostumado a usar snorkel é bem tranquilo, mas para idosos é complicado já que o percurso de flutuação é de 2 km sem parar e, apesar da correnteza nos levar, é um tanto cansativo.

Apesar da chuva, que diminuiu bem no início do percurso, é impressionante a transparência das águas e sua cor azul turquesa ao entrarmos naquele mundo subaquático. Vimos uma quantidade significativa de peixes (dourados, pintados, piraputangas, entre outros). Foram 2 km de flutuação até desembocarmos no Rio da Prata que é mais largo e fundo e, infelizmente, no dia estava um pouco turvo devido à chuva (deu um pouco de aflição...). Um barco já nos esperava para finalizarmos o passeio e retornarmos até a sede da fazenda. Foi uma experiência única e inesquecível!


Eu, no início da flutuação.


Fotos tiradas com a máquina que alugamos na própria agência que realizou o passeio.

 

Valor por pessoa: R$ 198,00 (alta temporada) e R$ 168,00 (baixa temporada).
Distância do centro de Bonito: 50 km.
Infraestrutura: O Rio da Prata fica dentro de uma fazenda (propriedade particular) e oferece banheiros, redário e almoço incluso no valor.
Dica: levar roupas de banho, toalhas e máquina fotográfica à prova d'água.

Outros passeios que não fizemos, mas que são muito requisitados:

Abismo Anhumas: 

Dizem que é indescritível e espetacular, mas confesso que não sou muito adepta de aventuras de nível mais elevado. Há uma caverna no subsolo e o único acesso a ela se dá por rapel. A descida é de 70 metros de altura e, ao chegar, você encontra um lago de 15 a 90 metros de profundidade, onde pode ser praticado mergulho ou flutuação.

Foto do site http://www.abismoanhumas.com.br/

Valor por pessoa: R$ 575,00
Duração: 5 horas
Distância do centro de Bonito: 20,8 km
Informações: http://www.abismoanhumas.com.br/

Boca da Onça:

A Boca da Onça é a cachoeira mais alta do Mato Grosso do Sul e possui 156 metros de altura. O passeio dura o dia todo e é feito através de caminhada de mais de 5 km por trilha. Durante todo o percurso, o turista conhece 12 cachoeiras e se quiser pode descer 90 metros de rapel em um paredão vertical. Ao fim do passeio é servido almoço no receptivo, onde há 2 piscinas com água corrente, cachoeiras e hidromassagem.

Abaixo, fotos retiradas do site http://www.bocadaonca.com.br/

 
Valor por pessoa: R$ 170, 00 (alta temporada) e R$ 150,00 (baixa temporada)
Distância do centro de Bonito: 59,00
Informações: http://www.bocadaonca.com.br/


Para saber de todos os passeios acesse o Portal Bonito.

No último dia tomamos café e partimos para Campo Grande com um carro privativo. Dormimos na capital por uma noite, pois nosso voo sairia às 5 da manhã. 

Bonito é lindo, é bonito de se ver. É Brasil!

B.Jus

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